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quinta-feira, 28 de junho de 2012

TEMÁTICA SEXTA TRADIÇÃO - 29/06/2012

A RELAÇÃO DIRETA DESTA TRADIÇÃO COM O SEXTO PASSO.
VENHA COMPARTILHAR CONOSCO!

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ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
GRUPO ARAÇÁS
Rua Caracas, 103 - Araçás - Vila Velha - ES - CEP: 29103-540
Reuniões: Segunda, terça, quarta e sexta 19:30h.
(Próximo ao Maderauto Material de Construção)

Problemas com a bebida alcoólica?



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ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
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segunda-feira, 25 de junho de 2012

domingo, 24 de junho de 2012

Um Sentimento Duro e Frio

Lutamos para nos libertar dos ressentimentos, mas eles são como ervas daninhas cujas raízes sãtaverna 45o muito fortes. Quando permitimos, os ressentimentos apagam todos os outros sentimentos que possamos ter. Destroem nossa serenidade, arruínam nossas relações, nos tornamos pessoas amargas e isoladas.

Os ressentimentos começam com uma mágoa, até um ressentimento firme, e chegam ao ódio e à sede de vingança.
O que usamos para alimentar nossos ressentimentos:
  • Coisas que fizemos contra nós que consideramos egoístas e com falta de consideração.
  • Coisas amáveis que as pessoas poderiam ter feito por nós e que não fizeram.
  • Coisas que as pessoas não fizeram o suficiente por nós.
Como os ressentimentos nos afetam:
  • Não conseguimos tirá-los de nossa mente.
  • Ficamos tão concentrados na pessoa que ressentimos que não conseguimos fazer coisas mais agradáveis.
  • Sentimo-nos magoados e frustrados a maior parte do tempo.
  • Sentimos pena de nós mesmos, pelo muito que sofremos.
  • Nos irritamos com as outras pessoas e nossas relações com elas são afetadas.
  • Apresentamos sintomas das emoções desagradáveis que não expressamos, como: dor de cabeça, dor de estomago, músculos doloridos, etc.
  • Achamos que todas as pessoas são más, sem consideração por nós.
O problema maior com os ressentimentos é que eles gastam uma quantidade enorme de energia. Podemos ficar amarrados neles e quando isso acontece nosso crescimento emocional e espiritual é detido.
Quando perdoamos, nos livramos dos ressentimentos. Perdoar exige tempo, paciência e muita responsabilidade. Precisamos talvez primeiro perdoar a nós mesmos antes de perdoar aos outros. Nossa meta ao perdoar consiste em curar as velhas feridas para pôr fim aos ressentimentos e ir em frente em nossas vidas.
Sugestões para ajudar a perdoar
  • 1. faça uma lista de todas as pessoas que precisa perdoar, inclua-se nesta lista. Por que você precisa perdoar essas pessoas?
  • 2. Que danos os ressentimentos estão causando? Quais as conseqüências?
  • 3. Escreva os pensamentos negativos que você têm a respeito dessas pessoas.
  • 4. Escreva as formas como você age com essas pessoas: como as evita, contando piadas ou fazendo comentários sarcásticos sobre elas, como as ataca, etc.
  • 5. Assuma o compromisso de parar com esses pensamentos e ações, o que for possível. Começar com uma ou duas pessoas da lista.
  • 6. Faça uma outra lista. Escreva três qualidades de cada uma dessas pessoas. Relaxe, respire profundamente. Comece a pensar em cada uma dessas pessoas como um ser humano único. Mantenha um enfoque positivo.
  • 7. Muitas pessoas podem começar a perdoar as outras orando por elas. Outra forma consiste em ter pensamentos positivos sobre elas.
  • 8. Escreva três coisas positivas que pode fazer com ou por elas. Procurar colocar isso em prática (perdoar é um processo gradual).
  • 9. Lembrar das frases: "Terei paciência comigo". "Sem condições", não esperarei nem exigirei nada das pessoas a quem perdoar, inclusive que me perdoem. "Perdoar é bom para mim, não para os outros".
  • 10. Para poder se perdoar, procurar toda ajuda possível, dos amigos, terapeutas ou guias espirituais.
Como evitar a formação de novos ressentimentos:
  • 1. Lidar com o problema real, sem aumentá-lo. Manter-se realista.
  • 2. Manter-se ativo. Os ressentimentos se formam quando se está inativo. A pessoa começa a de sentir impotente e sem esperança. Não permita se sentir ou agir como uma vítima, cheia de autopiedade.
  • 3. Manter-se no dia de hoje. Não voltar às velhas feridas.
  • 4. Manter o foco no assunto. Não se esquecer que são certos comportamentos da pessoa que o desagradam e não a pessoa em si.
  • 5. Procurar ajuda, quando necessária. Não deixar que a mágoa se transforme em ressentimento e ódio.
  • 6. Não permitir que sua serenidade dependa de outra pessoa. Você é responsável por ela.
...esse negócio de ressentimento é infinitamente grave, porque quando estamos abrigando esses sentimentos, nos afastamos da luz do espírito. (Na Opinião do Bill, pág 5)
Vivência n° 77 – Maio/Junho 2002

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mente

 

O conhecimento e avaliação de Alcoólicos Anônimos é necessário para aqueles que tenham um grande desejo de ajudar o alcoólico, porque o amam ou vivem com ele. Observando como e o que A.A. faz por ele, entendemos do que ele precisa, e principalmente aquilo que não podemos dar a ele. Tenho uma profunda e abrangente convicção a respeito de Alcoólicos Anônimos - eles são teoricamente confiáveis, racionais e, na prática, impressionantemente bem-sucedidos.
Meu relacionamento com A.A. é o do psiquiatra que teve acesso em primeira mão a seus milagres. Nós, psiquiatras, estamos habituados a milagres. Não existe para um médico satisfação maior do que o crescimento sólido do paciente - antes de ser um miseravelmente confuso, infeliz e medroso - em direção à saúde e autoconfiança. Como terapeuta, costumo ver com frequência a profunda reeducação emocional (que chamamos de psicoterapia ou psicanálise) tomar conta, aprofundar-se, crescer e solidificar-se na direção da maturidade.
Por que não é possivel fazer isso pelo alcoólico agudo? E por que A.A. pode? Por que quase sempre é certo que o alcoólico agudo ou bebedor-pesado - cheio de ira, confuso, quase sempre sem dinheiro, irrascível, desesperado, escondendo uma profunda sensação de baixa auto-estima por trás de uma atitude de arrogância defensiva - não é um candidato à psicoterapia? Ele precisa de ajuda. Por que resiste então a ela? É surpreendente para mim, agora, que nós psiquiatras não tenhamos visto o porquê antes. O alcoólico não consegue confiar em nós e nem em ninguém. O primeiro passo em qualquer psicoterapia é estabelecer o que chamamos de "transferência". O paciente transfere para nós o propósito de uma educação emocional, extremamente similar ao da criança na primeira infância, além de uma abrangente confiança no terapeuta, para que possa retomar novamente sua caminhada ousando desta vez, viver, ser ele próprio, cometer erros, fazer questionamentos, aprender e acreditar que não será abandonado e que nós o ajudaremos na sua busca de um novo crescimento.
No início de sua recuperação, o alcoólico não consegue confiar em ninguém; é difícil para ele amar e confiar até mesmo em um Deus, uma vez que ele O teme. Isso me faz lembrar da profunda verdade que existe na frase: "Se um homem não ama seu irmão, a quem ele pode ver, como amará a Deus, a quem ele não vê?" O alcoólico não consegue fazer a transferência, não consegue amar nem confiar em seu irmão, não se relaciona como uma criança confiante com o novo médico que se intitula "psiquiatra".
Entretanto, o alcoólico consegue entreabrir levemente a porta de suas emoções para outro alcoólico. Ele não teme do seu igual nenhuma condenação moral, ou irritante e humilhante indulgência, pois o outro esteve no mesmo inferno que ele. Começa a sentir afinidade por outrem após um longo tempo de solidão. Temos então agora aquilo que os psiquiatras chamam de relacionamento interpessoal. É essa para mim a essência e o alicerce de A.A. : estabelecer e manter relacionamentos humanos.
O próximo grande passo na direção da recuperação é uma perda gradual daquela sensação de ser único e diferente, que muitos pacientes têm. À medida que começa a frequentar as reuniões de A.A. e encontra mais e mais pessoas, vê que o mundo é cheio de bebedores-problema e alcoólicos. Para os amigos e a família ele sempre foi o pária, a catástrofe inaceitável. Mas nas reuniões de A.A. ele ouve sua própria história muitas e muitas vezes. Começa a se sentir livre para tentar entender essa estranha expressão - "bebedor compulsivo". Até ser chamado de "personalidade adicta" por outro que está no mesmo barco, não o incomoda mais. No meio de tantos companheiros ele ousa fazer o inventário , conhecer mais sua própria personalidade e preparar-se para enfrentar seus pontos fracos, reconhecer sinais de perigo e aceitar as limitações de vida como todos os outros alcoólicos o fazem - evitando o primeiro gole - porque chegou à conclusão de que é um doente (...)
(Grapevine, nov/98)            Adele E. Streeseman, M.D.                        (Vivência nº 61- Set/Out 99)
Colaboração - Grupo Carmo-Sion de A.A. (Alcoólicos Anônimos) - Belo Horizonte / MG

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Em todas as nossas atividades...


Acredito que as tradições servem tanto para manter unidos os grupos que compõem a Irmandade de A.A., mas também servem para que cada membro as aplique em seu dia-a-dia.AA-muito-mais-que...
Por exemplo, a Primeira Tradição nos fala de bem estar comum e de unidade. Sua mensagem significa que se vivo em unidade, harmonia e serenidade em meu trabalho e com minha família, minha vida terá características parecidas.
Tendo em conta que um Poder Superior está por cima de tudo (Segunda Tradição), se ajo de acordo com os preceitos divinos, nada de mal pode me acontecer.
Posso também colaborar com os outros e ajudá-los em qualquer circunstância, sem juízos nem discriminações (Terceira Tradição), deixando de lado o medo e dando o melhor de mim.
Comprometido  com meu trabalho, conservo minha individualidade sem que isso afete aos que me cercam. (Quarta Tradição).
Quando me proponho uma meta, busco-a com perseverança, sem escutar qualquer "canto de sereia" que poderia me desviar de meu objetivo primordial (Quinta Tradição).
Sempre tenho presente que quando uma situação envolve propriedade, dinheiro e prestígio (Sexta Tradição), devo andar com ´"pés de chumbo", porque sou extremamente "sensível" a essas coisas. Tento ser economicamente autossuficiente sem pedir ajuda a ninguém, praticando a moderação em meus gastos e equilibrando meu orçamento (Sétima Tradição). Esse hábito da economia está inspirado na sugestão de uma "reserva prudente".
Não sei tudo, por isso recorro aos que sabem mais do que eu, aos profissionais especialistas (Oitava Tradição). Não preciso fazer tudo sozinho; a ajuda  e os conselhos daqueles que estão acostumados a um tema podem me aproximar mais de um objetivo.
Delegar e compartilhar são habilidades que eu desconhecia e que adquirí na medida em que fui aceitando as pessoas, os lugares e as coisas (Nona Tradição).
Viver e deixar viver, essa máxima me afastou da controvérsia e me ensinou que às vezes é melhor ficar calado no momento oportuno do que ganhar uma discussão infrutífera (Décima Tradição).
Quando tenho uma ideia e quero compartilhá-la, trato de atrair aos que podem se interessar por ela e não de promovê-la como fazia nos bares (Décima Primeira Tradição).
Não importa o tamanho da obra que se esteja realizando; o que devo fazer é guardá-la para mim, manter-me anônimo (Décima Segunda Tradição) e isso é um grande sacrifício, me custa muito. Mas é necessário tentar e eu continuo tentando.


    (Grapevine, julho/agosto 2000)                              Colaboração: Wagner T.

Querer ou poder: Como Funciona o EGO?


"Façamos a experiência dizendo em voz alta: - eu não posso beber e - eu não quero beber!
Qual das duas frases tem mais força?"
Ouço com freqüência vários companheiros dizerem "eu não posso beber". Não seria mais interessante dizer "eu não quero beber"?
Façam uma experiência: pronunciem essas duas frases em voz alta; deixem-nas ecoar na mente e percebam quanto a segunda é mais forte; como ela transmite certeza, convicção, positivismo, enquanto a primeira deixa transparecer uma certa dúvida, um quê de incerteza.
Além disso, "eu não quero beber" sugere decisão consciente e firme por parte de quem emite a frase, ao passo que "eu não posso beber" pode fazer pensar em uma atitude de fora para dentro, uma decisão que uma pessoa toma por outra.
Buscando apoio para essa distinção que faço entre querer e poder, procurei auxílio no dicionário e lá descobri que querer, dentre outras coisas, é "ter ou manifestar vontade firme e decidida" e que poder é, dentre outras coisas, "ter força, ou energia, ou calma ou paciência para".
Se analizarmos atentamente as duas definições, veremos que a primeira, a priori, não permite falhas nem vacilos, pois parte de um desejo firme e honesto, o qual, aplicado a nós, se traduz num desejo firme e honesto de não ingerirmos bebidas alcoólicas. Já a segunda mostra um estado e/ou virtudes que podem, em determinados momentos de nossa vida, falhar, constrangendo-nos, fazendo-nos duvidar ou vacilar diante de nossa escolha inicial. Essa pequena discussão pode parecer inoportuna ou sem propósito, mas quero lembrar-lhes que, segundo alguns autores (opinião, diga-se de passagem, compartilhadas por mim), a palavra possui um grande poder, sendo capaz de derrubar ou erguer qualquer indivíduo.
Partindo dessa premissa e da definição de querer, quando digo "eu não quero", estou fortalecendo em mim uma idéia que, para a grande maioria de nós, foi construída sobre uma base de muito sofrimento, tanto pessoal quanto daqueles que se encontram ou se encontravam conosco.
Para nós, alcoólatras em recuperação, esta vida de abstinência e de busca de sobriedade é uma construção que se realiza a cada período de 24 horas em que nos mantemos sóbrios. Sendo uma construção, tem como pedra fundamental a admissão e a aceitação da nossa impotência perante o álcool.
Quando iniciamos nossa caminhada, é compreensível que utilizemos o verbo poder, pois ainda temos a nos sondar a mente algumas incertezas e medos que nos conduzem a duvidar do nosso sucesso na empreitada iniciada.
No decorrer das 24 horas, porém, fortalecemos o nosso ideal, retiramos das nossas reuniões os materiais de que necessitamos para erguer uma sólida construção e, então, passamos a utilizar o verbo querer, que traz em si, como já foi dito, uma fonte de convicção de que conseguimos e de que conseguiremos vencer este obstáculo, o Alcoolismo.
Responder a alguém que nos pergunta se queremos ou não beber com "não posso" ou "não quero" dependerá da circunstância, do momento, porém, em minha opinião, ao dizermos "não quero", estamos afirmando, sem sombra de dúvida, ao nosso interpelador e a nós mesmos que estamos convictos da nossa posição.
Luiz Carlos/Ouro Preto/MG                                            (Revista Vivência nº 97 - SET/OUT 2005

SEXTO PASSO - TEMÁTICA







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GRUPO ARAÇÁS
Rua Caracas, 103 - Araçás - Vila Velha - ES - CEP: 29103-540
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terça-feira, 19 de junho de 2012

AOS PROFISSIONAIS - ENCONTRO DE AA NO ES.



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domingo, 17 de junho de 2012

TRANSMITINDO A MENSAGEM

A Semana do CTO - Revista Vivência

ctoDe 1° a 7 de setembro.
Em comemoração à chegada de A.A. no Brasil, a Irmandade comemora esta data intensificando os trabalhos de divulgação através do Comitê Trabalhando com os Outros.

APADRINHAMENTO DE GERAÇÃO A GERAÇÃO
Para levarmos a mensagem com eficácia é preciso que a tenhamos em nossos corações, e só a teremos em nosso interior se tivermos trilhado passo a passo o Primeiro Legado de A.A.
Sem uma boa recuperação não estaremos prontos para transmitir a mensagem aos que ainda sofrem e aos que virão a sofrer da doença do alcoolismo.
Sabemos que essa recuperação é lenta e proporcional ao nosso esforço, como disse o Dr. Bob, porém, sem uma boa reformulação pessoal conforme nos indicam os Doze Passos, pouco ou nenhum resultado positivo poderemos esperar de nosso trabalho de divulgação.
Será importante também que trilhemos intensamente o nosso Segundo Legado, as nossas Tradições, que nos ensinam a bem conviver em todas as circunstâncias e em todas as nossas relações, portanto nos dão uma essencial ferramenta para levar a mensagem de Alcoólicos Anônimos a todos os que dela precisem.
Nosso Terceiro Legado expressa em nossos Conceitos o nosso procedimento nos Serviços e é com essa sabedoria que nos organizamos e formulamos nossa ação, para levarmos a mensagem salvadora ao doente alcoólico.
Sabemos que a transformação pessoal daquele indivíduo alcoólico que não cumprimentava ninguém, que andava de cabeça baixa e cambaleando, ou gritando e tentando impor sua vontade onde estivesse, na rua, em casa, no edifício, no local de trabalho ou no bairro onde mora, e que passa lentamente a caminhar firme, de cabeça erguida, e que começa a cumprimentar as pessoas, a sorrir e a ser gentil, é a melhor mensagem direta e imediata, pois todos quererão saber o que aconteceu com aquele ser humano, e a resposta direta ou indiretamente virá: "Ele agora faz parte de Alcoólicos Anônimos".
O amor que transforma, e que tem origem nos Doze Passos espirituais de Alcoólicos Anônimos, faz com que tenhamos necessidade e prazer em levar a mensagem de esperança ao doente alcoólico que deseje recuperar-se, isto é um princípio da Vida que Alcoólicos Anônimos sabiamente adotou.
Não poderíamos esquecer, esse extraordinário meio de divulgação que é a Internet, que não só pode, mas deve ser utilizado por nós para levarmos a mensagem a quem ainda sofre, mas também lembrar que, para divulgações ali, precisamos urgentemente da prática de estudos e orientações, para que nada seja feito fora de nossas Tradições, e que venha pôr em perigo nossa Irmandade no futuro, pois é um veículo muito rápido e que atinge milhões de internautas no mundo inteiro, além da facilidade com que qualquer indivíduo pode encontrar um espaço para colocar seu Site, para divulgar o que, e como lhe possa interessar, sendo aí possível facilmente o uso indevido do nome de Alcoólicos Anônimos.
Nossa auto-suficiência, mesmo tendo muitas vezes deixado a desejar, deve mobilizar-nos para que tenhamos os recursos necessários para levarmos de graça uma mensagem que tem custo, e este custo deve ser pago por nós, sem coerção é verdade, mas por consciência de levar adiante o que recebemos, para que possamos conservar e aumentar essa dádiva, que é a sobriedade e a paz.
Ouvimos tantas vezes que em A.A. tudo é de graça, assim nessa afirmação isolada há um grande equívoco. Qualquer alcoolista que chega a A.A recebe a informação sobre a existência de nossa Irmandade, de um amigo nosso, quer seja ele um religioso, um médico, um psicólogo, um assistente social, um professor ou um profissional de qualquer atividade, ou mesmo de um site na Internet; alguém no passado ou mesmo no presente, e de diversas formas fez alguma coisa, e pagou para que essa informação chegasse a essas pessoas. Os nossos grupos pelo mundo afora, com suas salas bem arrumadinhas, mesmo sendo com simplicidade, existem porque muitos agiram e pagaram de diversas formas para que ali A.A. chegasse, se mantivesse vivo e à disposição do doente alcoólico. Como é fácil depreender, muitos pagaram para que aquele que chegue receba de graça a mensagem, mas nós temos o dever, mesmo sem sermos obrigados a isso, de contribuir para que os que virão tenham a mesma oportunidade que tivemos e quem sabe ainda mais.
Cada geração de AAs "deve" apadrinhar os que chegam, sem egoísmo e sem medo de que alguém os supere, pois é isto que precisamos aspirar, para que sempre tenhamos aqueles membros mais preparados e que com boa vontade queiram com amor levar esta mensagem salvadora aos doentes que o desejarem, gerando assim a continuidade genuína de Alcoólicos Anônimos.
Finalmente, quando estivermos com estes Trinta e Seis Princípios impregnados em nossas vidas, tendo assim membros preparados e projetos feitos em conjunto, além da experiência escrita de como fazê-­lo, só precisaremos de boa vontade, tranqüilidade, harmonia, de ações permanentes e necessárias para que Alcoólicos Anônimos seja conhecido e se mantenha vivo até quando o P.S. (Poder Superior)de cada um de nós assim o quiser.
Que a disposição do doente alcoólico do amanhã e que a sobriedade esteja sempre ao alcance do todos, como objetivo único de nossos serviços, em todos os seus aspectos, por todos os seres humanos, sem alarde espetacular, mas com amor, clareza, beleza e a simplicidade cativante de nossa Irmandade.


Anônimo                                              Vivência n° 97 ­ Set./Out. 2005

sexta-feira, 15 de junho de 2012

DEBATE NA FIOCRUZ COM A PRESIDENTE DA JUNAAB

Jovens, sejam bem-vindos - Existe "vida" sem álcool e drogas!

 

Há um bom tempo venho observando a mudança na freqüência às reuniões de A.A.
Antigamente, os companheiros tinham que beber muito tempo para procurar ajuda. Eram alcoólicos e em geral demoravam a entrar em A.A., pois só o uso do álcool demorava mais a detonar o organismo. Quando vinham para a sala, em geral estavam com certa idade, já haviam "queimado suas velas" e as deixado no "toco".
De uns tempo para cá a freqüência nas salas é outra; há mais jovens devido ao uso concomitante com drogas ilícitas.
Sabemos que o uso de drogas ilícitas derruba mais rápido do que o uso do álcool; o estrago atinge proporções assustadoras.
O número de pessoas aumentou devido ao aumento da população, da divulgação da programação, da liberação do álcool tanto incentivado em comerciais. Com isso, vemos salas de A.A. e N.A. quase todas lotadas, mas vemos também número proporcional ao crescimento de recaídas.
Como coordeno as "Reuniões de Novos" na sala de A.A. do Grupo que freqüênto já algum tempo percebi a dificuldade dos jovens em permanecerem sóbrios.grupos_jovens
É muito mais fácil para uma pessoa de quarenta anos se fechar, em casa, evitar velhos caminhos, bares, companhias, etc. Mas, para os jovens, a coisa fica mais complicada... Eles estão no ápice da idade, baladas, escola, faculdade, lugares regados a álcool e drogas. Então as tentações, os estímulos são bem maiores do que para uma pessoa de quarenta anos, que passou por tudo isso.
Percebo a dificuldade em se "trancarem" em casa, evitando tudo e todos. E em geral, quando abrem a "gaiola" e se arriscam aos velhos caminhos, uma balada, por exemplo, voltam depois de um tempo... recaídos.
Quando um jovem avisa em partilha que vai a uma balada, que já se sente preparado, uma luz se acende em minha mente, e percebo que muita gente, inclusive eu, tenta mostrar a esse jovem, que todo cuidado é pouco e em geral, percebemos que a pessoa está indo para beber e usar, mas não tem consciência disso e como somos impotentes, ficamos no aguardo, orando sabendo que as chances de voltarem sóbrios é pequena.
Procuro dar as sugestões que recebi quando ingressei; se for voltar aos estudos, espere um ano, pelo menos. Explico que quando ingressamos em A.A. e experimentamos a sobriedade, depois de um tempo curto nos sentimos aptos a fazer tudo; sentimos o prazer de ver a vida sem o álcool e as drogas; queremos recuperar logo o tempo perdido e é ai que nos perdemos.
Insisto e persisto e não desisto de falar aquelas "velhas" sugestões de evitar os velhos caminhos e explico que os velhos caminhos é amplo: são caminhos-lugares, são caminhos-amizades, são caminhos-hábitos; a palavra é no sentido ampliado. Quando for que vá irmanado.
Muitas vezes só duas pessoas irmanadas, nesta situação, dois "novos" de programação também não funciona. O ambiente pesado, muito álcool, drogas, e dois iniciantes que se sentem fortes, mas na verdade estão frágeis naquela situação de entusiasmo e euforia; é grande a chance de recaída dupla.
Então, sugiro irem em bandos... Explico melhor - comecei a unir os jovens e os levei a uma pista de patinação no gelo que estava instalada no Shopping: fomos em bando e nos divertimos muito... Fomos no boliche, também em bando: churrascos, aniversários, sempre todas as mesas regadas com muito suco, refrigerantes e água em abundância e foi uma alegria. Fomos comer pizza, viajar, mas antes íamos à reunião de A.A.; ligados na programação, um auxiliando o outro, bem na expressão que uso "Me Empurra que Eu Te puxo".
Conseguiram perceber que não estão sós apesar de terem sido privados , por evitarem lugares que estimulam o uso. Hoje não estão mais sós! Têm amigos, os de A.A.. Então, aos poucos esse hábito entre eles foi criado e os novos que vão chegando, são levados pelos "menos novos" de sala, mas novos na idade, a se juntarem... E eu brinco: - "junte-se aos bons"...
Muitos programas sadios são feitos entre eles. O temido final de semana, antes em bares junto a alcoólicos e drogados; a solidão doída, fechados em casa, impossibilitados de sairem, hoje já não é tão temida entre eles, pois estão juntos num só propósito de se divertirem sem a necessidade de qualquer substância que altere seus humores.
Descobriram que existe "vida" após o álcool e drogas: existe alegria e felicidade sem terem que usar nada!
Martinha/São Paulo/SP.                                                                                                                      Revista Vivência nº 109, pág. 07/08

Os artigos não pretendem ser comunicados oficiais de Alcoólicos Anônimos enquanto irmandade, e a publicação de qualquer artigo não implica que Alcoólicos Anônimos e a revista "Vivência" estejam de acordo com as opiniões expressas.

TEMÁTICA COM VIDEO-DEBATE



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quarta-feira, 13 de junho de 2012

REUNIÃO DE CTO DO DISTRITO IX - ÁREA 21

 
CONVOCAÇÃO/CONVITE
“Não importa quão diferentes sejam nossos interesses pessoais, estamos todos unidos pela RESPONSABILIDADE comum... transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre.”
As Doze Tradições Ilustradas.
O Coordenador do CTO do Distrito IX, no uso de suas atribuições convoca: os REPRESENTANTES DE CTO DOS GRUPOS (RCTO), na ausência o respectivos Suplentes de RCTO; o Secretário e o Tesoureiro do Distrito IX; Convida o/a Delegado/a de área biênios 2012/2013 e 2011/2012 ; o Coordenador de CTO da Área e todos/as companheiros/as interessados no Terceiro Legado – Serviço - para uma Reunião de Unidade a realizar-se:
Data: 16 de junho de 2012.
Horário: Início às 15:00 horas e término no máximo às 18:00 horas.
Local: Sala de Reuniões do GRUPO ALVORADA - Rua: JONAS REBOUÇAS, 104, Sala 04, Setor 07 - IBES.
AA-muito-mais-que...
Pauta:
    • Leitura da Pauta e da Ata da Reunião Anterior.
    • Atualização da informação quanto às atividades em andamento e futuras.
    • Distribuição de atividades aos Grupos
    • Relatório dos RCTO’s.
    • Outros Assuntos.
1. OBS: CASO O GRUPO AINDA NÃO TENHA ELEGÍDO O RCTO, POR GENTILEZA ENCAMINHE UM REPRESENTANTE.
 
 
Secretário do Distrito                                                                                                                  CTO do Distrito IX

Alcoólicos Anônimos – 77 anos.

Dom, 10 de Junho de 2012  - Matéria publicada no site: http://www.aguasdepontal.com.br/artigos/418-alcoolicos-anonimos-77-anos.html


No dia 10 de junho de 1935, na cidade de Akron, Estado de Ohio, nos Estados Unidos da América do Norte, começa ser escrita a história de Alcoólicos Anônimos.

Com singela grandeza, exuberante beleza, salvando e restaurando vidas, chega aos setenta e sete anos. É dela que fazem parte homens e mulheres um dia condenados ao desterro, destruídos moral, material, emocional e espiritualmente. Hoje, revigorados, ressuscitados para a vida, amantes da paz, fazedores do bem, servos de um Poder Superior, escolhido a gosto de cada um – para a maioria um Deus Amantíssimo – que os ampara um dia de cada vez, transformando a vida, apesar das dificuldades, num espetáculo fascinante e imperdível.
Com reuniões grupais estão presentes em quase todos os países do nosso planeta. Virtualmente, através da internet, em todo o mundo.
O anonimato é patrimônio de cada membro. Não se revelam publicamente ou na mídia, em respeito as suas tradições. Elas recomendam os princípios em detrimento às personalidades. O importante é o que se faz e não quem faz.

Nós de A.A. somos homens e mulheres que descobrimos e admitimos ser incapazes de controlar o álcool. Precisamos viver sem ele, a fim de evitar a ruína para nós mesmos e para os que nos são preciosos.
Nosso único e fundamental propósito é mantermo-nos sóbrios e atender àqueles que procuram nosso auxílio, ajudando-os a alcançar a sobriedade.
Não somos reformadores nem estamos ligados a qualquer grupo, causa ou filiação religiosa. Não temos desejo algum de tornar o mundo abstêmio. Não recrutamos membros. Evitamos impor nossos pontos de vista e só nos pronunciamos sobre eles quando solicitados.
Une-nos um problema comum: o álcool. Encontrando-nos, trocando ideias, ou ajudando outros alcoólatras, podemos, de algum modo, permanecer sóbrios e eliminar a compulsão pela bebida que outrora foi a força dominante em nossa vida.
Conquanto não haja uma “definição de A.A.” formal do alcoolismo, concordamos, na maioria, tratar-se de uma compulsão física aliada a uma obsessão mental. Com isso queremos dizer que tínhamos um desejo físico, bem distinto, de consumir álcool além do que podíamos controlar e em desafio a todas as regras do bom senso. Tínhamos não só um desejo anormal pelo álcool, como ainda frequentemente sucumbíamos a ele nas piores ocasiões. Não sabíamos quando (ou como) parar de beber. Muitas vezes não tínhamos sensatez bastante para saber quando não começar.
Hoje admitimos que o alcoolismo, ao menos pelo que nos tange, é uma doença progressiva, que jamais pode ser “curada”, mas que, como outras enfermidades, pode ser estacionada. Concordamos que não há nada vergonhoso em estar-se doente, desde que se encare o problema com honestidade e procure solucioná-lo.
Compreendemos agora que, uma vez que uma pessoa cruze a invisível fronteira entre um forte hábito de beber e o alcoolismo compulsivo, será sempre um alcoólatra. Pelo que sabemos, nunca mais poderá voltar ao hábito social (normal) de beber. “Uma vez alcoólatra, sempre alcoólatra”. É um simples fato com o qual temos que conviver.
Nossa experiência em A.A. ensinou-nos duas coisas importantes. Primeira: os problemas básicos que os alcoólatras enfrentam são os mesmos, tanto para os que esmolam para beber uma pinga quanto para os que exercem elevadas funções em grandes empresas. Segunda: agora compreendemos que o programa de A.A. de recuperação funciona para quase todo o alcoólatra, se este honestamente quer que funcione, não importa qual o seu nível social ou sua experiência com a bebida.
Também começamos a nos perguntar o que seria necessário fazer para permanecermos sóbrios, quanto custaria ser membro de A.A., quem “dirigia” a sociedade no plano local e internacional. Logo descobrimos que não há imposições, que ninguém é obrigado a seguir qualquer ritual ou padrão de conduta. Aprendemos também que não são cobradas taxas ou mensalidades de espécie alguma. As despesas com as salas de reuniões, com o café e com outros gastos são cobertas por meio de coleta que não é obrigatória.
Percebemos que Alcoólicos Anônimos não tem dirigentes, apenas servidores que cuidam de assuntos essenciais à unidade da Irmandade e que se revezam periodicamente, não existindo “chefes”.

Parte do depoimento de um participante da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, gravado, com autorização, em reunião de grupo:
Ouvi falar sobre Alcoólicos Anônimos no manicômio onde me internei em 1983. Achava que só um “louco” poderia ser protagonista da vida que levava. Nos dois anos seguintes, ainda bebendo, nunca mais consegui fazê-lo "sossegado". Parecia que alguém me observava e aí começou a fase em que parti para o submundo da periferia, onde ninguém me conhecia e em qualquer boteco eu era o "rei".
Ainda tinha dinheiro, pagava a bebedeira de "todo mundo" e era insolente. Não dormi na rua, na calçada, na sarjeta, porque, ou entrava no carro ou me jogavam lá dentro.
Foi assim que em 27 de junho de 1985 fui encontrado pela minha filha, às 10h00 (da manhã), dormindo. Bem próximo havia um "orelhão". Liguei e pedi socorro. Na minha carteira, num pequeno papel, constava o número do telefone da pessoa que me socorreu e que dois anos antes me abordara, pois, conhecia minha saga desde o internamento em 1983.
Naquele mesmo dia, às 19h30, fui levado por aquela pessoa a uma sala de reuniões dos AAs. Ela fazia parte da Irmandade.
Depois de várias reuniões entendi que a minha dependência física e a obsessão mental pelo álcool eram tamanhas, que não haveria solução só com a minha vontade e que somente um ato da "Providência" poderia me salvar. Não se tratava mais de parar de beber. Era preciso acontecer o milagre da "ressurreição". Acreditei no milagre.
Comecei a distinguir o dia da noite, comecei a segurar uma xícara na mão, consegui escrever e a caligrafia voltou a ser bonita. Reaprendi que o ano tem quatro estações, que o sabiá canta de outubro a janeiro. Nas ruas me deparava com novos modelos de carros, que não sabia que existiam. Voltei a sentir frio e calor e o cafezinho era saboroso. Aliás, em poucas semanas assumi a cozinha do grupo, fazia e servia café e todos diziam que nunca haviam tomado café tão bom.
Entendi mais tarde que nasci alcoólatra, ou possível portador da doença do alcoolismo. Já aos 13 anos bebia quatro a cinco doses de vodka com refrigerante, enquanto meus amigos (meninos como eu) mal conseguiam tomar uma dose.
Embora tenha constituído família, construído uma carreira brilhante, meu "norte" sempre foi o álcool, ou seja, tinha que estar sempre presente no dia-a-dia e sutilmente evoluiu ao longo de 25 anos até a derrota total.
Não confundo espiritualidade com religião, nem religiosidade. Sei que absorvi espiritualidade. Não sei a intensidade. Só sei que quando ouço, falo, escrevo sobre Alcoólicos Anônimos e convivo com os AAs. sinto leveza no coração e paz nunca dantes vivida. Está dentro de mim. É difícil descrever, porém, é maravilhoso.
No balanço da vida, entre erros e acertos, sobras e perdas, no embate direto materialista, não há dúvida, saio perdendo, embora tenha nascido sob a aura do bem e procurado praticar o bem.
Tenho, porém, uma verdade inquestionável: minha vida adquiriu sentido a partir de Alcoólicos Anônimos. Não existe nenhum fanatismo, é puro amor, por uma filosofia, uma causa, um objetivo, enfim. . . acho que só eu entendo, sem pretender, jamais, ser melhor do que ninguém.
No dia 10 de junho próximo, Alcoólicos Anônimos, completa 77 anos de existência. Quero dizer algumas palavras mais especiais para agradecer.
“Quero fazer da vida um gesto de querer bem, que se prolongue através do espaço e do tempo. Quero fazer da vida uma esperança para os que perderam as forças, uma luz para os que tropeçam na noite, uma sombra para os que se arrastam ao sol, um aceno do alto para os que procuram o caminho, um encontro para os que vivem na solidão.”
Agradecer porque tenho bons amigos, que me ouvem, abrem os braços, dizem coisas que há muito ignorei;
Agradecer porque sou depositário de boas novas, desejos plausíveis, sonhos quase reais;
Porque sinto que o imaginário perdeu o encanto, que a realidade, mesmo que, às vezes cruel, incentiva-me a lutar pela fuga da insanidade;
Porque vivo momentos intensos e sublimes de credulidade e fé;
Porque sei que os valores morais foram reconquistados, que a sabedoria perdida vai chegando e, de repente, vejo que sou capaz;
Porque a mansidão e a ternura têm substituído com folga, a raiva e o ódio;
Meus passos não são mais medrosos;
Minha fé abre as alas da escuridão. Há luz. Muita luz;
Não sou mais aquela folha seca jogada e abandonada pela brisa. Encontrei o meu descanso. Estou no meu lugar;
Escapei da morte. Deixei de beber.
________________________________________________________________
Notas do editor: http://www.aguasdepontal.com.br/artigos/418-alcoolicos-anonimos-77-anos.html
Contatos de Alcoólicos Anônimos (entre outros)
www.alcoolicosanonimos-pr.org.br
www.alcoolicosanonimos.org.br
www.aa.org
www.aasobriedade.org
www.aabr.com.br
As partes deste artigo destacadas em fonte itálica foram extraídas da literatura oficial de A.A.
O membro da Irmandade, que relatou parte de sua história pessoal, destacada em negrito, é amigo particular do editor.

terça-feira, 12 de junho de 2012

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O DIA "D"

Não sabia o real valor da vida! Não me dava conta do mal que causava a muita gente, especialmente minha esposa, companheira das horas amargas, meus filhos, meus amigos, colegas de trabalho, pela minha maneira exagerada de beber.

O grande dia "D" de minha vida foi quando um amigo falou-me sobre a literatura de A.A. e convidou-me a assistir uma reunião. Não pensei duas vezes, aceitei o convite.

A reunião foi no Grupo Força e Esperança. O nome do grupo me serviu de incentivo, pois, estava precisando da força do amigo e esperança de caminhar até o final do túnel em busca do meu caminho.

Hoje, ao ouvir os depoimentos dos companheiros em cabeceira de mesa sobre os desencantos do álcool tiro a seguinte conclusão: o ontem, já passou, é irreversível e o amanhã, não nos pertence e sim, a um Poder Superior a nós. Resta-me hoje, e este, sim, depende unicamente de levar em frente o legado do A.A., pedindo sempre ao Onipotente Deus que me livre de uma recaída e me conduza pela trilha do bem.

Hoje me sinto uma pessoa especial; voltei à sala de aula depois de quarenta e cinco anos; estou totalmente renovado, de bem comigo, com a natureza, com minha família, com meus amigos e consegui resgatar junto aos colegas de trabalho o respeito e a admiração. Para mim o plano de 24 horas, está sempre se renovando, na certeza de ter selado um grande compromisso comigo, com todos que fazem parte de minha vida e com o meu Poder Superior.

Atingindo o fundo do poço, minha mente abriu e fiquei disposto a tentar algo diferente. O que tentei foi A.A. Minha nova vida em A.A. pode-se comparar como aprender a andar de bicicleta pela primeira vez. A.A. tornou-se minha bicicleta de treinamento e minha mão de apoio. Não é que eu desejasse tanto a ajuda; simplesmente não queria voltar a sofrer essas coisas novamente. Meu desejo de evitar voltar ao fundo novamente foi mais forte que meu desejo de beber. No começo isso foi que me manteve sóbrio. Porém, após algum tempo, descobri a mim mesmo trabalhando Os Passos o melhor que podia. Em breve percebi que minhas atitudes e ações estavam mudando aos poucos. "Um Dia de Cada Vez", senti-me bem comigo mesmo, com os outros e minhas feridas começaram a cicatrizar. Agradeço a Deus pela bicicleta de treinamento e a mão de apoio que escolhi chamar de Alcoólicos Anônimos.

(Fonte: Reflexões Diárias.)   José B./Serra Talhada/PE    -      Vivência nº111 - Janeiro/Fevereiro/2008.

sábado, 9 de junho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

LITERATURA - Marty M. a 1ª mulher a conseguir sobriedade duradoura em A.A.

 

O mês de abril de 1939 continuou transcorrendo, num ano muito difícil.
Houve momentos de luz que só foram reconhecidos como tal muito mais tarde.
Um deles foi à chegada de Marty M., a primeira mulher a conseguir sobriedade duradoura em Alcoólicos Anônimos.
A.A. havia sido levado ao seu conhecimento de maneira forçada, quando ela estava internada no Sanatório Blythewood, em Greenwich, Connecticut. O psiquiatra Harry Tiebout, diretor médico do sanatório já estava interessado no movimento e recebeu com antecedência uma cópia do Livro Azul impressa em off-set, solicitando sua avaliação. Entregou o livro a Marty, uma mulher de 34
Marty M anos tão atraente quanto difícil. De início, ela se recusou a ler o livro, mas finalmente concordou e leu-o pulando as páginas e discutindo-o com ceticismo e desdém. "Não suporto esses Ds maiúsculos", disse."Não acredito em Deus e não quero ler um livro inteiramente sobre Deus". O pessoal do A.A. se auto-hipnotizou, disse ela a Tiebout, desafiadoramente; eram todos fanáticos. Como Tiebout continuou pressionando-a, ela decidiu ler apenas o suficiente para ter elementos e provocar uma discussão com o médico. Essa discussão intelectual continuou durante meses, até o dia em que
Marty entrou numa crise de ressentimento e fúria. Nesse momento de ódio, contava ela, viu literalmente tudo em vermelho, inclusive as páginas do livro aberto sobre sua cama. Mas recordou que, "no meio da página havia uma linha que não estava vermelha, mas de um negro azeviche, que se destacava como se tivesse sido entalhada na madeira. E a linha dizia: Não podemos viver com raiva". Foi o suficiente. Fiquei de joelhos ao lado da cama, creio que por muito tempo, porque a colcha tinha uma grande marca das minhas lágrimas. Senti algo naquele quarto, e a principal sensação era de ser livre. Eu sou livre!
Pouco depois desse incidente, Marty assistiu pela primeira vez uma reunião de A.A. Dei uma olhada no lugar e nunca havia visto tanta gente em minha vida. Havia provavelmente 30 ou 40 pessoas. Lois apareceu, abraçou-me e disse: - estávamos há muito tempo esperando por você, sabia? E queremos que desça. Venha. Nunca havia sentido tanto amor quanto o daquela mulher e segui-a escada abaixo, como um carneirinho. Ficou evidente para mim, nessa primeira noite, que Bill era um líder. O grupo com o qual eu estava e mais algumas pessoas subimos para o andar superior, ele sentou-se e começamos a fazer-lhe perguntas. Eu tinha mil perguntas a fazer. Lembro-me de Bill olhando-me e rindo enquanto dizia: - Olha, Marty estamos na noite de terça-feira; você não pode fazer tudo até a quinta. A segunda coisa que me
agradou foi ouvi-lo dizer: Devemos ter muito cuidado em evitar uma coisa: (achei que o Dr. Tiebout havia falado com ele sobre mim... quem eu era, e tudo o mais) os ressentimentos. Como é que você lida com os seus ressentimentos?
Ressentimentos? - perguntei eu. Nunca tive ressentimento em minha vida!
E ele exclamou: - Não me diga! Não é possível que seja por causa da sua idade... "Eu tinha apenas 34 anos. Todos riram e me senti mal,desconcertada e muito ferida. Não sei do que estão rindo, disse. Não vejo, absolutamente, nenhuma graça. Mas Bill perguntou: - O que é que você faz, como se sente quando alguém lhe faz alguma coisa que você acha injusta, que a magoa? Ou faz uma coisa muito errada, do seu ponto de vista, que a atinge diretamente?
Sinto-me magoada, respondi. E eles observaram: - E isso não é ressentimento?
O que você acha que é? Bem, quando as pessoas me ferem desse modo, eu as evito. Simplesmente, me fecho em mim mesma, afirmei. E você percebe a quem está ferindo, não é? Perguntou Bill. Não, não sei do que está falando, retruquei. E ele disse: - Está ferindo unicamente a você mesma! Em outras
palavras, nessa noite tive a primeira lição, com Bill no papel de professor.
Era um grande professor. Lois também se recordava dessa noite: - Marty temia o que iria descobrir na reunião e preferiu ficar no andar de cima comigo.
Consegui convencê-la de que os AAs a apreciavam e precisavam dela e então descemos juntas. De volta a Greenwich, Marty contou de sua viagem ao Brooklyn para uma amiga íntima, outra alcoólica de Blythewood: - Grennie, não estamos mais sozinhas, disse ela, uma afirmação hoje famosa em A.A., porque resume o alívio que todo alcoólico isolado sente quando encontra a Irmandade.


(Fonte: Levar Adiante)  Vivência nº110 - Nov/Dez/2007.

REUNIÃO DE INFORMAÇÃO AO PÚBLICO









ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
GRUPO ARAÇÁS
Rua Caracas, 103 - Araçás - Vila Velha - ES - CEP: 29103-540
Reuniões: Segunda, terça, quarta e sexta 19:30h.
(Próximo ao Maderauto Material de Construção)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

CULTIVANDO TOLERÂNCIA (Dr. Bob)

CULTIVANDO TOLERÂNCIA (Dr. Bob)

Durante nove anos em A.A., tenho observado que aqueles que seguem o programa de Alcoólicos Anônimos
com maior seriedade e zelo, não apenas mantém a sobriedade, mas freqüentemente adquirem melhores
características e atitudes. Uma delas é a tolerância. A tolerância se manifesta em uma variedade de
formas: na gentileza e consideração para com o homem ou a mulher que estão apenas começando a
 marcha ao longo do caminho espiritual; na compreensão com aqueles que talvez tenham sido menos
 afortunados nas vantagens educacionais; e na simpatia com aqueles cujas idéias religiosas parecem
ser bastante diferentes das nossas.

Com relação a isso, recordo-me da figura de um cubo de roda com seus respectivos raios. Todos nós
começamos pelo lado de fora da circunferência e nos aproximamos de nossos destinos por um dos
 vários caminhos. Dizer que um dos raios é muito melhor que todos os outros, é verdadeiro apenas
no sentido dele nos servir melhor, como indivíduos. A natureza humana é tal, que sem nenhum grau
de tolerância, cada um de nós poderia estar inclinado a acreditar que encontramos o melhor, ou talvez
 o mais curto.
Sem alguma tolerância, poderíamos tender a nos tornar um pouco presunçosos ou superiores - o
 que, naturalmente, não é útil à pessoa que estamos tentando ajudar e pode ser doloroso ou detestável
 para outras. Nenhum de nós deseja fazer algo que possa ser empecilho à evolução de um outro - e
uma atitude protetora pode imediatamente retardar esse processo.

A tolerância fornece, como um subproduto, uma maior libertação da tendência de se apegar a idéias
 preconcebidas e, obstinadamente, a radicalismos. Em outras palavras, ela, quase sempre, proporciona
uma abertura de mente que é imensamente importante - é, de fato, o pré-requisito para um final bem
sucedido em qualquer linha de busca, seja ela científica ou espiritual.

Eis, portanto, algumas das razões pelas quais um esforço para obter tolerância deve ser feito por todos nós.


(Best Of The Grapevine, páginas 49 e 50, jul.44)

(VIVÊNCIA nº 41 - maio/junho 96) - Colaboração Grupo Carmo Sion de BH-MG
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segunda-feira, 4 de junho de 2012

A MÁSCARA CAIU NO 1° ENCONTRO

"Eu me preocupava com ele e, no entanto eu também sou alcoólica."MSCARA~1
Foi numa terça-feira, 19:30h cheguei meio sem saber o que esperar, aliás, eu tinha minhas próprias idéias do que encontraria, mas nem de longe poderia imaginar as coisas que eu veria e sentiria naquela noite.
Fui para levar meu marido, porque "ele" era um alcoólico, "ele" não sabia beber, "ele" tinha que parar, "ele" só me fazia sofrer, enfim, todas as dores, amarguras e frustrações que eu tinha na vida, eram culpa dele.
Eu sempre fui tão boa para ele, sacrifiquei meus sonhos, minha individualidade, juventude e liberdade, em nome de um casamento falido e de um homem que não me merecia, nem me dava valor. Esses eram meus reais sentimentos.
Pensava que Alcoólicos Anônimos era algo extremamente machista, cheio de homens humilhados, derrotados e infelizes porque não podiam beber; que já haviam causado tanto sofrimento, que somente juntos poderiam suportar a dor da culpa que carregariam para o resto de suas miseráveis vidas.
Mas não foi isso que eu vi.
Para começar, dei de cara com uma mulher coordenando a reunião, o que me pareceu bastante estranho, mas logo pensei: "Claro, só mesmo uma mulher para suportar um monte de bêbados arrependidos". Percebi que todos estavam arrumados, decentemente vestidos; a sala era aconchegante, e o clima... bem, o clima era para mim, no mínimo, suspeito.
Porém o que mais me intrigou foi o fato de estarem todos alegres; pareciam realmente felizes e satisfeitos por estarem ali, e mais ainda com a nossa presença; sorriam e nos cumprimentavam com visível satisfação, nos deixando muito à vontade.
Eu tinha vontade de gritar-lhes: "Ei, o bebão aqui é ele, não eu". Entretanto, estava certa de que isso era tão legível como se uma enorme placa estivesse pendurada em meu pescoço.
Então começou a reunião. Desde o primeiro depoimento, senti que algo estava acontecendo dentro de mim. Senti calor, medo, vergonha, vontade de ir embora, sair dali o mais rápido possível; era o que a minha cabeça dizia, mas meu corpo não obedecia, meu coração batia descompassado e por um momento achei que todos olhavam para mim e sabiam de todos os meus "pecados".
De repente, esqueci-me do motivo que me levou até ali, ouvia atentamente o que um companheiro dizia, e era como se estivesse em frente a um espelho vendo minha própria imagem, ouvindo minha própria voz.
Pela primeira vez, tive coragem de olhar para dentro de mim verdadeiramente e a máscara caiu. Eu era uma alcoólica, não era capaz de controlar meu modo de beber, e o que mais me doeu: tinha causado sofrimento a mim e a outros, inclusive àquele a quem eu de tudo culpava.
Pânico. Essa palavra resume o sentimento que me veio a seguir.
Deram-me café, cercaram-me de carinho e atenção e eu senti que os amava; não os via mais como bêbados derrotados e infelizes; eram alcoólicos em recuperação, corajosos, determinados, vencedores de uma luta diária, contra uma doença chamada alcoolismo.
Eu queria ser como eles, precisava disso, não podia mais mentir para mim mesma, não sabia o que dizer nem o que fazer. Então estenderam-me a mão e disseram-me que tudo seria diferente se eu quisesse, e graças ao meu Poder Superior, eu quis.
Jamais irei esquecer aquela noite. Já se passou um ano e mais algumas 24 horas. Não me preocupo com quantos anos mais virão; o que realmente importa é poder estar aqui hoje, alcoólica em recuperação diária; compartilhar com meus companheiros a alegria de cada momento, e também as tristezas.
"Vivo e deixo Viver", pois a vida é feita de muitos momentos, e o que faz a diferença é como nos preparamos para eles; não tenho que me preocupar com a vida dos outros e sim, com a minha.
Tudo isso eu devo a Alcoólicos Anônimos e aos meus companheiros.
Tudo é maravilhoso, porém frágil, como frágil é a própria vida, é preciso estar vigilante, perseverante nos meus propósitos para que não me desvie deles.
Espero que este meu sincero depoimento, possa-lhes ser útil e parabéns por esta Revista tão bem feita e tão agradável de ser lida. Esta é a minha humilde contribuição.
(Cristina, Blumenau / SC)        VIVÊNCIA N.° 93 – Jan/Fev 2005    - Colaboração Grupo Carmo Sion de BH-MG

domingo, 3 de junho de 2012

ENCONTRO EM LINHARES - 40 ANOS DE AA NO ES.



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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Alcoólicos Anônimos - Uma Solução Disponível

"O alcoolismo é uma doença que a família esconde, o dependente nega e a sociedade condena".
Essa frase, dita por um alcoólico em recuperação que há 11 anos frequenta o A.A – Alcoólicos Anônimos - ,
sintetiza toda a problemática que envolve milhares de pessoas que carregam consigo a doença do alcoolismo.
E quando esse hábito se torna uma doença, a quem recorrer? É possível se livrar deste vício sozinho?
Segundo os alcoólicos em recuperação que frequentam as reuniões de A.A., certamente não!
Qualquer que seja a linha de pensamento seguida pelos profissionais da saúde física e mental em relação ao tratamento
e recuperação de pessoas que tenham desenvolvido dependência de substâncias psicoativas, dentre elas o álcool,
  ninguém duvida da importância dos grupos de mútua ajuda para a efetiva eficácia de seu trabalho e redução significativa das recaídas.
Desses grupos, os mais conhecidos, organizados e disponíveis para a comunidade como um todo são os das irmandades anônimas,
 baseadas no programa desenvolvido por Alcoólicos Anônimos, a mais antiga delas.
O texto completo, você encontra no nosso blog: http://www.grupodeaaaracas.blogspot.com.br/



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Alcoólicos Anônimos - Uma Solução Disponível

 
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"O alcoolismo é uma doença que a família esconde, o dependente nega e a sociedade condena”.
Essa frase, dita por um alcoólico em recuperação que há 11 anos frequenta o A.A – Alcoólicos Anônimos - , sintetiza toda a problemática que envolve milhares de pessoas que carregam consigo a doença do alcoolismo.
Embora ainda seja visto por muitos como um vício, a OMS – Organização Mundial da Saúde, já definiu o alcoolismo como uma doença. Doença esta que leva à morte de várias formas, não só pelo consumo excessivo do álcool que é totalmente prejudicial à saúde, mas também pelo fato e muitas vezes ser ele o grande responsável por diversos casos de violência doméstica e maus-tratos infantis. Além disso, uma pessoa que dirige alcoolizada coloca sua vida em risco e a de outras pessoas. A instituição da Lei Seca, em junho de 2008, foi um importante passo para ajudar a diminuir os acidentes e mortes no trânsito, mas é preciso que cada pessoa se conscientize que álcool e direção definitivamente não combinam, pois o número de pessoas dirigindo alcoolizadas voltaram a subir, segundo o Mistério da Saúde.
A OMS estima que existam cerca de 2 bilhões de pessoas consumindo bebidas alcoólicas em todo o mundo e 76,3 milhões, com diagnóstico de transtornos de uso de álcool.
Segundo dados do Ministério da Saúde analisados entre 2000 e 2006 a taxa de mortalidade por doenças associadas ao alcoolismo no Brasil subiu de 10,7 para 12,64 óbitos por 100 mil habitantes em seis anos e os especialistas acreditam que o número de mortes pode ser ainda maior.
Em pesquisa divulgada este ano pelo Vigitel - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, realizada pelo Ministério da Saúde, por amostragem com 54 mil pessoas residentes nas capitais e Distrito Federal, as informações sobre o consumo abusivo de álcool comprovam esta tendência de crescimento.
Em 2008, 19% declararam ter consumido álcool de forma abusiva em alguma ocasião nos últimos 30 dias. Em 2007, foram 17,5%; em 2006, primeiro ano do Vigitel, foram 16,1%. O consumo é mais frequente em faixas etárias mais jovens – alcançando 30% dos homens e 10% das mulheres entre 18 e 44 anos.
De acordo levantamentos do Vigitel 2008, o percentual de consumo abusivo de álcool para o sexo masculino é de 29% dos entrevistados, 10 pontos percentuais acima da média nacional (19%) e três vezes maior do que o registrado entre as mulheres (10,5%). De acordo com o estudo, o percentual de consumo abusivo de álcool entre homens em 2008 foi o maior desde 2006, quando teve início o Vigitel. Há três anos, 25,3% dos homens entrevistados afirmaram ter consumido abusivamente o álcool, contra 27,2% (2007) e 29% (2008).
As mulheres também estão bebendo mais. Em 2008, o percentual de consumo abusivo de álcool foi de 10,5%, contra 9,3% em 2007 e 8,1% em 2006. Outro dado preocupante da pesquisa mostra que os brasileiros voltaram a beber e dirigir com mais frequência nos últimos meses de 2008 em relação aos primeiros meses da Lei Seca, e reverteu a tendência inicial de queda verificada pelo Ministério da Saúde. Nos meses de julho, agosto, setembro e outubro do ano passado, os percentuais de pessoas que afirmaram ter consumido álcool de forma abusiva e ter dirigido depois foram de 1,3%, 0,9%, 1,2%, 1,2%, respectivamente. Em novembro e dezembro, os percentuais saltaram para 2,1% e 2,6%, dados bastante elevados em relação aos meses anteriores. Todas essas pesquisas demonstram que o consumo do álcool é cada vez maior.
E quando esse hábito se torna uma doença, a quem recorrer? É possível se livrar deste vício sozinho? Segundo os alcoólicos em recuperação que frequentam as reuniões de A.A., certamente não!
Qualquer que seja a linha de pensamento seguida pelos profissionais da saúde física e mental em relação ao tratamento e recuperação de pessoas que tenham desenvolvido dependência de substâncias psicoativas, dentre elas o álcool, ninguém duvida da importância dos grupos de mútua ajuda para a efetiva eficácia de seu trabalho e redução significativa das recaídas.
Desses grupos, os mais conhecidos, organizados e disponíveis para a comunidade como um todo são os das irmandades anônimas, baseadas no programa desenvolvido por Alcoólicos Anônimos, a mais antiga delas.
Alcoólicos Anônimos, ou A.A., é uma irmandade mundial, presente em mais de 150 países, atualmente com cerca de 2,5 milhões de integrantes, todos portadores da doença do alcoolismo, que utilizam seu programa de recuperação para se manterem sóbrios e ajudarem outras pessoas que tenham problemas com a bebida e queiram se livrar dela. O único requisito para tornar-se membro da irmandade é o desejo de parar de beber, mas nem sempre é fácil para o alcoólico procurar ajuda no A.A., pois ainda existe muito preconceito por parte da sociedade e da própria pessoa que passa pelo problema.
“Existe um preconceito de uma maneira em geral porque alcoólico ou alcoolismo é uma palavra pejorativa. Eu mesmo quando fui procurar o A.A. tinha vergonha. Eu não tinha vergonha que as pessoas me vissem caindo, saindo dos botecos, chegando em casa bêbado, gritando, mas tinha vergonha que as pessoas me vissem entrando numa sala de A.A.”, conta nosso entrevistado em recuperação, que hoje se dedica a ajudar outros alcoólicos durante as reuniões de A.A. que frequenta há 11 anos.
O A.A. nasceu na cidade de Akron, Ohio, nos Estados Unidos, em junho de 1935 quando um corretor da Bolsa de New York conhecido por Bill W. e o Dr. Bob, ambos alcoólicos, com suas vidas já comprometidas pela doença, descobriram que compartilhando os problemas decorrentes de sua situação comum ficava muito mais fácil manter a abstinência total do álcool, única chance de recuperação, pois mesmo que o alcoólico passe por longos períodos de abstinência basta um único gole para desenfrear a compulsão.
“Eu achava que era um safado, um sem vergonha que não tinha força de vontade de parar de beber, até conhecer o A.A., onde percebi que o alcoolismo é uma doença: a terceira doença que mais mata no mundo”. Por diversas vezes nosso entrevistado disse que tentou parar de beber sozinho, mas tinha recaídas e só conseguiu atingir este objetivo quando começou a acompanhar as reuniões de A.A.
Nas reuniões de A.A., os depoimentos são bastante fortes, as pessoas contam a vida delas e como conheceram o AA. Quando chega uma pessoa nova na irmandade, os demais membros fazem o depoimento voltado para aquela pessoa, contando sua história, com os detalhes de tudo que o álcool as fez passar, as coisas ruins que a bebida desencadeou em suas vidas, mas principalmente conta há quanto tempo está na irmandade e como as reuniões têm ajudado para que não aconteçam novas recaídas.
Os membros de A.A. sabem que jamais conseguirão beber controladamente e não mantêm a ilusão de que trocando a cachaça pelo uísque, cerveja ou vinho, possam transformar-se em bebedores sociais.
Para a recuperação do alcoolismo é preciso observar os 12 Passos sugeridos em todos os grupos de A.A. espalhados pelo mundo, que são na verdade uma série de atitudes e procedimentos que obtiveram total sucesso por todos aqueles que os experimentaram em seu trabalho de recuperação. Os passos começam com o óbvio, ou seja, com a admissão pelo alcoólico de sua impotência perante o álcool, que perdeu o controle de sua vida e nada pode fazer para sair dessa situação sozinho. Segundo o A.A., quem pratica os 12 Passos consegue viver uma vida longe das bebidas.
A.A. não cobra nenhuma mensalidade ou taxa obrigatória. Para fazer frente às despesas de sua própria existência, Alcoólicos Anônimos recorre à consciência de seus membros, através de uma coleta feita em cada reunião mediante uma sacola anônima, onde cada um tem liberdade de contribuir - ou não - com aquilo que puder.
Aliás, a liberdade total e portas sempre abertas são a principal característica da irmandade, onde para ser membro não é preciso sequer abandonar a bebida, mas apenas dispor-se, mesmo que sem palavras, a frequentar as reuniões e a tentar praticar as sugestões contidas em seu programa de recuperação, através dos 12 Passos.
Para ajudar as famílias que também são afetadas pelo alcoolismo existem os Grupos Familiares Al-Anon para adultos e Alateen para crianças e jovens até 21 anos, que tiveram origem em Nova York, nos Estados Unidos, e hoje estão presentes em mais de 100 países, totalizando cerca de 30 mil grupos em todo o mundo.
No Brasil, o Al-Anon existe desde 1965 e conta com mais de mil grupos para ajudar os familiares de alcoólicos que são afetados pela doença, pois, enquanto a obsessão do alcoólico é pela bebida, a obsessão dos familiares é controlar o uso dela. E essa situação afeta toda a família pela ansiedade, raiva e sentimentos de culpa que ocasiona.
As reuniões de Al-Anon ajudam outros familiares a encontrar a compreensão e recuperar a harmonia, pois todos seus frequentadores sabem o que é conviver com a incerteza e a insegurança que o alcoolismo traz.
Revista CompanySul - Ano 03 - Edição 29 - Setembro de 2009